Por Raquel Xavier

18/10/2018

Futurecom discute caminhos para aplicar alta tecnologia e tornar possível a transformação digital no Agronegócio

Do solo à mesa do consumidor: Transformação digital no agronegócio

O Futurecom trouxe em seu terceiro dia debates sobre a transformação digital no Agronegócio, em painéis que discutiram como implantar efetivamente a Agricultura 4.0 no Brasil.

Para que a tecnologia impulsione o Agronegócio brasileiro, existem desafios a enfrentar (e evitar) para que um país tão grande e de solo rico não fique aquém desta evolução.

Os participantes do painel IEG | FNP – Agribusiness Intelligence | Informa: Transformação Digital no Agronegócio chamaram a atenção para o fato da população rural estar diminuindo no mundo inteiro. “Os Estados Unidos levaram 60 anos para reduzir a população rural de 24% para 2% do total. Por outro lado, o Brasil deverá demorar somente 12 anos para chegar nesse patamar”, evidenciou Ary Tranquillini, engenheiro agrônomo do Instituto de Engenharia e Gestão (IEG).

Isso significa que o campo não só não se modernizou, mas também envelheceu.

 

A evolução da Agricultura

Vitor Carvalho, division manager da IEG, expôs uma linha do tempo sobre a evolução do processo de mecanização das fazendas no país para contextualizar essas mudanças.

A Agricultura 1.0 , de 1900 a 1930, foi o start da mecanização nesse mercado. A partir de 1950, a Agricultura 2.0, também chamada de Revolução Verde, iniciou o uso de fertilização química e defensivos. Consequentemente, impulsionou o uso de mais maquinário.

A Agricultura 3.0 tem seu marco em 1990, trazendo consigo o uso de tecnologias de precisão, GPS, sensoriamento remoto, telemetria, gerenciamento e controle de custos, entre outras tecnologias.

Em 2010, a Agricultura 4.0 segue até os dias atuais, com as metas de ter uma conexão 5G e Inteligência Artificial mais acessíveis. Isso significa,sensores, atuadores e micro processadores mais baratos, comunicação em celulares de banda larga efetiva, sistema de TI em nuvem, Análise de BigData, gerenciamento de imagem, entre outras soluções.

 

Os reais desafios

A Agricultura 4.0 ou Agricultura Digital tem por definição manter um ecossistema de dados de apoio ao desenvolvimento e fornecimento de informações e serviços que tornem a agricultura lucrativa e sustentável.

Mas, como alcançar esse ecossistema no Brasil?

O principal problema foi apontado pelos participantes do MeetUp: Do solo à mesa do consumidor: a ineficiência da conectividade, que influencia diretamente nos softwares de monitoramento em tempo real da fazenda, além da integração das tecnologias, assistência dos players e investimentos disponíveis e acessíveis.

Cristiane Lourenço, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Bayer, endossa essa justificativa com o exemplo de que até funcionários analfabetos conseguem utilizar as máquinas com alta tecnologia, pois decoram o processo.

“Logo, cultura tecnológica é importante mas, conectividade é essencial”, complementa.

Conectividade que gera rentabilidade no campo. Pois, também nesse segmento, informação e dados, valem muito.“O monitoramento assertivo de lavouras gera economia de até 30% no final da safra, além da utilização de drone sobre pragas, infestações e necessidades nutricionais” conta Marcos Ferronato, CEO da startup Netword.

Outro exemplo disso é na área de manejo florestal. Esthevan Gasparoto, CEO da startup Treevia , que trabalha no manejo para produção de papel celulose, diz que “monitoramento, prevê prejuízos e otimiza processos. Menos custos lá na frente”.

A agropecuária também foi lembrada como merecedora de atenção, no que diz respeito a novas tecnologias de monitoramento.

 

Conexões mais amplas para máquinas mais inteligentes – o primeiro passo de uma grande jornada

“Para viabilizar essa cultura, precisamos mudar o modelo de negócio em termos de capacidade. Em breve haverá a liberação da Anatel em frequências mais baixas também para o setor agro. Mas, para termos um cenário do mundo ideal precisamos desenvolver e democratizar o IoT” , explica Vinicius Dalben, , vice-presidente de estratégia da Ericsson.

Alexandre Rangel, sócio da Consultoria Ernet & Young concorda e complementa a afirmação.

“ Em agricultura é preciso sofisticar modelos de negócio. Trazer a aplicação de tecnologia na perspectiva da produção rural, com integração. Afinal, todos fazemos parte dessa missão: tornar viável conectividade, eficiência energética e sustentabilidade em agronegócios. A gente precisa caçar em bando”, finaliza.

 


Veja também o resumo da palestra Como inovar nos negócios promovendo dados por LTE na qual Ricardo Vieira apresenta cases de sucesso da conectividade via LTE.


 

Esse artigo faz parte da cobertura do Futurecom 2018! Fique por dentro dos principais temas abordados no evento sob a ótica da Khomp!

 

 

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